sexta-feira, 1 de abril de 2011

Bandeiras.Sonhos e Utopias


Sou de uma geração que nasceu na década de 1950,viveu a infância em clima de liberdade e ,
quando chegou a pré adolescência,viu ser intalada a ditadura militar no páis.
 A adolescência ( que naquela época ia até aos 18 anos ) , e parte da juventude foram
vividas sob o signo do medo : medo de se reunir livremente,medo de se reunir para
discutir assuntos do momento e até medo de pensar.
Vi amigos e colegas de escola e movimentos sociais sumirem do mapa da noite para o dia,
com noticias de torturas e muito sofrimento.
Levantamos
bandeiras,cultivamos sonhos nas noites e madrugadas dos bares e defendemos utopias em conversas reservadas.
Tinhamos a convicção de que podiamos mudar o mundo.
A palavra de ordem era: " Abaixo a ditadura ".
Os nossos valôres eram liberdade,respeito,democracia,justiça,auto confiança,direitos para
todos e orgulho de pertencer a um país do futuro.
Era nisto que acreditávamos.
Não pretento ser saudosista,pessimista,generalista,nostálgico nem mesmo filosófico.
Apenas quero repartir uma reflexão sobre uma geração que hoje vê parte dos jovens perdidos
em seus caminhos.
Muitos da minha geração,que hoje são pais e mães e tiveram seus filhos no começo da distensão lenta,
gradual e segura,não quiseram criar um ambiente familiar que reproduzisse o das gerações passadas,
em que o medo substituia o " respeito ", amor ao próximo ","democracia","justiça ","direitos iguais",
"alegria","auto estima" e "orgulho"" de fazer parte de uma família"..
Mas talvez muitos de nós tenhamos sido engolidos pelo excesso e abandonamos a regra básica
do equilíbrio e dos limites..
Muitos de nós abandonamos as funções de pais e mães e não percebemos que,mais do que desempenhar
papéis como atores em um palco iluminado,
devemos ser sujeitos e motivadores de mudanças reais nos
nossos pequenos mundos.
O resultado de nossa ausência em busca de realizações profissionais e pessoais
nos levou a terceirizar a educação e a formação de nossos jovens e,faltou a muitos deles
a referência necessária dos verdadeiros valores que defendíamos com unhas e dentes na
nossa juventude.
O resultado foi a subversão de nossas " bandeiras,"de nossos sonhos" e uma "total ausência de utopias.
O que era Liberdade ,para muitos virou...libertinagem ,com direito a invadir espaços alheios.
O que era " Respeito " entre Pais e Filhos virou....uma relação de amigos de baladas ,
em que todos cabem no mesmo conceito desde que se enquadrem no figurino
de gírias e gestuais..
O que era " Democracia " virou...egoísmo,em que o que importa é :
fazer o que quero...e dane-se o resto.
O que era  " Auto Estima " virou...prepotência,em que o nariz empinado e o peito estufado
viraram sinônimo do " eu posso " e portanto , saiam da minha frente porque eu tenho a força.
" Justiça ",passou a ser justiça...com as própias mãos,
em que o que incomoda é eliminado.

A " Alegria "...deu lugar ao prazer
a qualquer preço...mesmo que ele dure alguns segundos e seja necessário buscar doses maiores para
a próxima rodada de ilusão.
O "grupo de amigos"....passou a ser os milhares de anônimos das redes sociais,onde mais do que
promover trocas de idéias e projetos de vida, tornou-se essencial mostrar dotes físicos e materiais.
E a " Autocofiança " virou... a contestação pela contestação.
A " Reflexão ",portanto,que quero dividir,não é a de :
Condenar ou apontar os culpados, mesmo porque somos todos vítimas.
E´a reflexão de que precisamos agir rápido no sentido de de resgatar os verdadeiros valôres,
tecer um ambiente de confiança,de direitos e deveres,sermos exemplos não com palavras,
mas com " atitudes de quem quer construir uma sociedade mais saudável para todos ".
E , principalmente ,
deixar fluir para nossos filhos nossos sentimentos,para que nossos filhos e filhas
possam ter a certeza de que são realmente amados,mesmo quando este amor
vem acompanhado de limites e de nãos.
( Texto do jornalista,professor universitário Carlos Albeto dos Santos ) Fonte Jornal Estado de Minas.)


Eu Catarina Alice(kaly*gatabrava),nascida também na década de
1950...
De uma geração...que tinha um profundo respeito por nossos pais,pelas pessoas mais velhas,
pelos nossos professores,e pelo ser humano.
Sou de uma geração de pais autoritários de pouca conversa,muitos deles ausentes,.....
mas que nos filhos nunca negamos nosso carinho,nosso respeito,nossa  atenção e o  nosso amor.
Sou de uma geração que cresceu sabendo que um dia todos nós vamos ficar velhos,doentes,
e que vamos precisar de alguém que cuide de nós.....que não  importa como foram nossos pais,
e  que o importante foi o amor que recebemos mesmo  eles não sabendo demonstrar  ,mas principalmente com o amor que somos capazes de doar,e de sentir no mais profundo de nosso coração.
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2 comentários:

Baby disse...

Kaly...que presente verdadeiramente especial para o nosso coração já tão descrente da humanidade.
É muito bom saber que existem pessoas como você.
Estou ficando cada dia mais seletiva e tenho me sentido até mesmo jurássica, intransigente e ultrapassada por não conseguir acompanhar os valores modernos.
Vivemos em uma democracia, respeito a opinião alheia, mas nem sempre posso compactuar com diversas ideias e ideais.
Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas me convém.
Posso não concordar com o outro, mas sempre defenderei seu direito de falar o que pensa.
Todos nós temos o direito de falar ou simplesmente, calar.
Me calo mas, mesmo assim, não abro mão dos meus valores, simplesmente me torno a voz do silêncio.
Esse ano tive duas surpresas maravilhosas...você e a Mara, duas pessoas incríveis.
Obrigada por esse texto e por compartilhar conosco o seu tesouro secreto e valioso , o seu 'eu' bacana que vive dentro de você e que tanto tem nos encantado.
Estou verdadeiramente emocionada com esse texto, me identifico muito com suas escolhas.
"Você faz suas escolhas e suas escolhas fazem você."
Bjs Kaly, te admiro cada dia mais e mais.

kaly-gatabrava disse...

Querida Baby..obrigada por suas palavras e por sua sensibilidade ao me conhecer.Confesso que me sinto e penso como vce.Nas minhas andanças,nestes anos todo pela net,muitas vezes preferi me calar mediante tamanha agressividade que leio.Não me sinto nem um pouco omissa com meu silêncio..Meu caminho é o do entendimento,do diálogo..é tentar sensibilizar os corações cada vez mais agressivos que muitas vezes nos deparamos..Meu caminho é o amor,forjado na geração do Faça Amor,não faça Guerra.Fico muito feliz sempre com sua visita.Volte sempre...
Beijos carinhosos.

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